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24 março 2025

A espantosa mansão esquecida

Situada e isolada no alto duma colina, esta mansão cor-de-rosa destaca-se pela sua imponência e pela paisagem que pode contemplar-se nas proximidades e a vários quilómetros de distância. Entre os terrenos integrantes da propriedade, a longa escadaria transporta-nos até á sua entrada. É verão e sobressai o contraste do azul do céu com o rosa que pinta as paredes exteriores da casa. 
Construída no início do século XX, pertenceu a uma família de comerciantes que fizeram fortuna tanto na localidade onde se encontra implantada como em Lisboa. Os negócios prosperaram, mas o tempo, esse eterno escultor do destino, acabou por levar os seus donos e deixar a casa à mercê do esquecimento. 
Comecei a exploração nos pisos superiores e, para lá chegar, subi por uma bela escadaria talhada em madeira. As divisões principais e mais amplas vão ainda conservando os seus belos tetos trabalhados em gesso. Um quarto amarelo onde alguém já terá pernoitado… 
Diferentes cores pintam as paredes das divisões que se apresentam vazias. Aqui e ali alguns componentes ou objetos como frascos e garrafas. As salas conseguem identificar-se pela existência de lareira. 
Retornando sempre á zona da escadaria para aceder a outro piso, dá para aperceber que a riqueza arquitetónica está aqui, para além dos tetos. Também existem divisões mais pequenas… 
Ao deixar a mansão, olhei uma última vez a paisagem que se perde de vista até ao alto das montanhas.  


VÍDEO











































19 fevereiro 2025

O cemitério metálico

Num terreno esconde-se uma sucata de automóveis, um cemitério metálico onde o passado repousa sob o peso da ferrugem e do abandono. Ali, naquela sucata esquecida pelo tempo, repousam os restos de inúmeras histórias. Cada carro, agora coberto de ferrugem e poeira, terá sido um dia testemunha de jornadas longas, amores passageiros e despedidas silenciosas. 
Existem carros de várias épocas: uns mais antigos, com carroçarias arredondadas e cromados apagados pelo tempo, e outros mais recentes, mas igualmente castigados pelo sol e pela chuva. O vento sussurra entre as suas estruturas vazias, e os vidros partidos refletem os últimos raios de sol como se ainda quisessem brilhar uma última vez. Algumas portas mantêm-se entreabertas, como se os veículos aguardem passageiros que jamais chegarão. 
O velho carro azul, com os bancos rasgados e o volante gasto, talvez tenha pertencido a uma família que fez longas viagens de verão. A carrinha branca, enferrujada e sem motor, pode ter transportado sonhos e mercadorias de um trabalhador dedicado. 
Naquele lugar de esquecimento, a natureza começa a reclamar o que é seu. Arbustos crescem por entre as rodas, as raízes enroscam-se nas carroçarias e pequenos pássaros faziam ninhos onde antes rugiam motores. Cada veículo, imóvel e silencioso, guarda os segredos de quem um dia os dirigiu, memórias de uma era que se esvai lentamente, como um eco distante no tempo. 
E assim, sob o sol poente, a sucata permanece, um museu a céu aberto onde a ferrugem conta histórias que ninguém mais ouviu…