Num terreno esconde-se uma sucata de automóveis, um cemitério metálico onde o passado repousa sob o peso da ferrugem e do abandono. Ali, naquela sucata esquecida pelo tempo, repousam os restos de inúmeras histórias. Cada carro, agora coberto de ferrugem e poeira, terá sido um dia testemunha de jornadas longas, amores passageiros e despedidas silenciosas.
Existem carros de várias épocas: uns mais antigos, com carroçarias arredondadas e cromados apagados pelo tempo, e outros mais recentes, mas igualmente castigados pelo sol e pela chuva. O vento sussurra entre as suas estruturas vazias, e os vidros partidos refletem os últimos raios de sol como se ainda quisessem brilhar uma última vez. Algumas portas mantêm-se entreabertas, como se os veículos aguardem passageiros que jamais chegarão.
O velho carro azul, com os bancos rasgados e o volante gasto, talvez tenha pertencido a uma família que fez longas viagens de verão. A carrinha branca, enferrujada e sem motor, pode ter transportado sonhos e mercadorias de um trabalhador dedicado.
Naquele lugar de esquecimento, a natureza começa a reclamar o que é seu. Arbustos crescem por entre as rodas, as raízes enroscam-se nas carroçarias e pequenos pássaros faziam ninhos onde antes rugiam motores. Cada veículo, imóvel e silencioso, guarda os segredos de quem um dia os dirigiu, memórias de uma era que se esvai lentamente, como um eco distante no tempo.
E assim, sob o sol poente, a sucata permanece, um museu a céu aberto onde a ferrugem conta histórias que ninguém mais ouviu…




















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