Pages

Mostrar mensagens com a etiqueta forgotten places. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta forgotten places. Mostrar todas as mensagens

02 fevereiro 2021

Incursão solitária numa mina

Manhã acalorada esta em que decidi fazer uma incursão ao interior duma mina. É um percurso pedestre de cerca de dois quilómetros, sempre a descer, para chegar a um vale profundo onde se situa uma antiga exploração mineira que teve o seu auge de extração de volfrâmio e estanho na época da segunda guerra mundial. 
Feito o reconhecimento do exterior, faltava encontrar a entrada para o interior da mina, pois tinha referências sobre a existência de galerias autónomas com diferentes entradas. Começei a procurar tomando como orientação alguns escombros de pedra solta retirados do interior e que preenchiam a encosta do monte. Mas não estava fácil de descobrir. 
Depois de transpor vegetação densa encontrei a entrada que mais se assemelha a uma entrada de gruta. Outras dificuldades surgiram: escorria água proveniente do interior sobre um lençol alaranjado que parecia ser lama. O calçado não era o mais adequado para enfrentar aquele meio, sobe pena de ver as botas inundadas em água e lama. Peguei numa pedra de tamanho considerável e atirei para um lugar estratégico que me servisse de apoio mas afundou-se na lama. Procurei uma rocha de maiores dimensões, peguei nela e lançei-a para a mesma zona onde a primeira foi engolida. Desta vez ficou parcialmente vísivel tornando-se viável a transposição do obstáculo. 
Entretanto, apercebi-me que o meu dedo sangrava porque fiz um golpe ao pegar na rocha que acabara de lançar. Tentei estancar a hemorragia com os “primeiros socorros” que tinha comigo: um lenço de papel para envolver o dedo golpeado e, para lavar, a água que corria da mina. Era chegada a altura de pensar em desistir porque o dedo continuava a jorrar sangue sem parar. Que aborrecimento! Levantar cedo, percorrer uma distância considerável, voltar a fazer o caminho de regresso (que será mais penoso por ser a subir e estar mais calor) e não vou ao interior da mina!!!! É como ir a Roma e não ver o papa... 
Pressionei com mais força o lenço ensanguentado contra o dedo e retive-me sentado e sossegado durante dez minutos. 
Consegui! O dedo susteve a hemorragia. Que fazer? Regressar ou avançar? Bem! Estando eu ali e para não dar o tempo como perdido o melhor mesmo seria fazer a incursão na mina. 
Assim foi! Pulei para cima da pedra semi-enterrada na lama, outro pulo para a parte sólida da entrada e já estou a observar algum do interior. Duas bifurcações: uma tem um lençol de água e lama porque está num plano horizontal mas a outra, que parece ser a galeria principal, é inclinada e apenas tem lama. Sem opção segui pela galeria acessível de forma vagarosa para “apalpar” terreno e adaptar-me ao escuro e à luz artificial da lanterna. Todo o cuidado é pouco: no chão, a lama é húmida e bastante escorregadia; e no tecto, que está bem próximo da minha cabeça, pende o maciço rochoso com pontas afiadas ou laminadas a uma distância do chão que não vai além de cerca de metro e meio. 
Uns metros adiante apercebi-me que não estava só... Tratava-se de uma rã que um qualquer especialista em fauna saberia identificar em termos de género da família “ranidae”. Lugares como este são o habitat de muitos seres filhos de um “deus menor”, daqueles com que ninguém se preocupa. 
Pelo chão, em algumas partes mais secas da galeria, o barro conserva os moldes daquilo que seria a linha férrea para as vagonetas da mina, apesar do ferro ter desaparecido. 
Eis-me chegado a uma bifurcação com intercepção de 3 galerias. As rochas desprendidas e as paredes que cederam ajudaram-me na decisão de manter o percurso pela galeria central. Estas encruzilhadas de túneis voltariam a repetir-se no trajecto. 
Nesta altura já terei percorrido uma distância de 200 metros mas ainda não cheguei ao ponto mais longo ou distante da mina. 
Lá fora está calor! Cá dentro está fresco mas algo abafado! E não fosse a lanterna para fazer luz há muito que a escuridão seria completa. É o momento para a memória apelar a algo similar à alegoria da caverna: as trevas são bem mais penosas quando já vivenciámos a luz. 
Entretanto, passados mais 100 metros, dou comigo no final da galeria. Nos túneis das minas fica-se com a percepção de que final e fim não são bem a mesma coisa... 
Iniciado o caminho de retorno, voltei a parar nas bifurcações e a fazer alguns desvios para galerias, da esquerda e da direira, mais pequenas em distância. Mas o foco era mesmo o túnel central, o único que me permitiria voltar a ver a luz do dia...



VIDEO































17 dezembro 2020

Urbex 2020 - O video dos spots

Apesar de algumas restrições e cancelamentos que ocorreram durante este ano atípico, 2020 fecha com muitos pontos urbex visitados e ainda mais quilómetros percorridos! 
Desde Fevereiro de 2014 que não falhou um único mês para fazer pelo menos uma investida de exploração urbana. Foram 83 meses ininterruptos neste tipo de fotografia, de aventuras, de deslocações... 
O arquivo fotográfico e de vídeo está cheio de registos para serem publicados e partilhados no futuro. 
Por ora, fica uma síntese em vídeo dos “spots” visitados ao longo de 2020.  









03 setembro 2020

Docas & batelões


Os meus primórdios da fotografia urbex remontam aos plenos momentos da fotografia de paisagem da qual nunca me afastei desde que iniciei esta actividade de lazer, há uns bons anos atrás. 
Foram muitos os dias bem madrugadores que me levavam à margem norte do rio Tejo para fotografar o nascer do sol, com enquadramentos da Ponte Vasco da Gama, das docas, dos pontões ou dos barcos ancorados. Isso ocorria principalmente no inverno e na primavera uma vez serem as épocas ideais considerando a posição do sol e as condições meteorológicas favoráveis para a existência de algumas nuvens. 
Quando os elementos relacionados com o urbex se situam num exterior propício a um bom spot de cariz paisagístico não descuro a oportunidade de explorá-lo ao máximo por forma a gerar uma simbiose entre fotografia de paisagem e de exploração urbana. Descobrir esses elementos e incluí-los no cenário de paisagem é a parte desafiante! 
Evidentemente que os elementos de urbex também por lá proliferavam: os pontões que já só servem para os pescadores lançarem as suas canas, as docas vazias e sem actividade onde praticamente restam os cunhos de amarração, os batelões desactivados que, ao sabor do movimento das areias, se vão inclinando na margem. 
Depois do enquadramento urbex, o resto é paisagem...  

















04 março 2020

O aldeamento turístico


O cocas é que sofreu e nada teve a ver com o assunto!... Mais de 50% de queimaduras que até lhe rebentaram as vísceras. Há gente maléfica por natureza! 
Não sei se o boneco é um dos poucos despojos do aldeamento turístico ou se para ali foi levado por acaso... De qualquer forma não lhe gabo a sorte... 
Pensava eu que tinha chegado a Cancún ou a outro local turístico do México ao ver aquelas decorações reproduzidas nas bordas dos vãos de portas e janelas imitando sinais e escrita inca e ainda o desenho de um homem com um típico chapéu mexicano e ajoelhado a fazer a sua vénia sobre uma mulher, também ela desenhada e pintada sobre a parede. 
Olhando para aquele cenário, em que outro local se poderia estar? Ainda me desloquei a uma sala espelhada muito próxima daquela zona para questionar: espelho meu, diz-me onde estou eu? Não obtive resposta, talvez porque os espelhos, também eles, foram completamente quebrados e apenas restam uns pequenos cacos colados à parede.... 
Quando a oferta supera a procura, alguém há-de ficar com a brasa na mão e segue-se, num ápice, o desmoronamento de projectos concretizados mas mal idealizados. E assim era uma vez um aldeamento turístico que não sobreviveu ao impacto da forte concorrência. Local bem situado, com apartamentos a dar com pau, espaços diversificados e grandes, ótimas condições e qualidade. Mas de que vale tudo isto se não há gente com as devidas posses para habitar o aldeamento?  
































VIDEO