No coração do Luxemburgo, em finais do século XIX, ergueu-se um colosso de ferro e fogo: a Usine Brasseur, mais tarde conhecida como Terres Rouges.
Aqui, onde o minério vermelho tingia a terra, foram erguidos os altos-fornos que moldaram um país e deram forma ao aço da Europa. Durante mais de um século, estas chamas alimentaram progresso, trabalho e ambição. Homens e máquinas uniram forças, e o rugido do aço ecoava noite e dia sobre Esch-sur-Alzette.
Hoje nada resta da grandiosidade da fábrica; todos os altos-fornos desapareceram e as oficinas foram convertidas. Restaram a central elétrica e ainda os silos do minério que apresento neste vídeo mas, também estes, já foram demolidos muito pouco tempo após a minha visita.
A história deste complexo siderúrgico começou no ano de 1870, quando foi dada autorização para a construção de dois altos-fornos na Usine Brasseur, tendo sido acionado o primeiro alto-forno de minério de ferro em 1872. Em 1882 a fábrica foi modernizada para produzir aço e, em 1899, totalizava 5 altos-fornos.
Em 1919, foi fundada a Société Métallurgique des Terres Rouges e em 1937, a ARBED assumiu a gestão da empresa.
Durante décadas, este lugar foi sinónimo de progresso. Milhares de homens e mulheres encontraram aqui o seu sustento.
O ruído constante das fornalhas, o calor abrasador, a poeira que pairava no ar — tudo fazia parte de uma vida dura, mas orgulhosa. Terres Rouges era mais do que uma fábrica: era um coração de fogo que pulsava noite e dia, impulsionando a economia e projetando o Luxemburgo no mapa siderúrgico da Europa.
Os pavilhões foram vendidos para várias empresas, mas tudo acabou sendo abandonado em 1995. Consequentemente, muitos pavilhões foram sendo demolidos.
O edifício dos silos, com fachadas exteriores revestidas de tijolo vermelho, tinha cerca de 260 metros de comprimento.
Também designado por “Keeseminnen” pelos locais, o imponente armazém da fundição de Terres Rouges era um edifício industrial construído em betão armado, onde as rochas e minerais brutos de minério de ferro eram armazenados em silos e dali transportados para os altos-fornos.
No piso superior da sala de carga o minério era rececionado, transportado
através de carris e deitado para os silos. Uma longa escadaria separa os pisos superior do piso inferior. No piso inferior será possível ver a base afunilada dos silos que, com os seus alçapões abertos, despejavam os minerais sobre as vagonetas que os levavam para o alto-forno. No lugar delas estende-se agora um canal com água e entulho…
Quem atravessou estas ruínas terá sentido o peso da história. Os corredores vazios guardam ecos de passos apressados. As paredes manchadas de ferrugem e graffiti são cicatrizes de um passado de glória. E cada pilar, cada sombra, cada janela partida conta a mesma verdade: aqui construiu-se riqueza… aqui sacrificaram-se vidas… aqui ardeu um sonho que o tempo já não devolve.
Terres Rouges continua a ser um monumento. Não apenas de ferro e pedra, mas de memória, identidade e luta. É o testemunho de uma era em que o fogo moldava o futuro, e em que a humanidade ousava sonhar tão alto quanto as chaminés que dominavam o horizonte.
A Usine Brasseur não morreu. Permanece viva nas histórias e nas lembranças.
Terres Rouges já não produz ferro, mas continua a forjar emoções.
É um monumento ao poder do passado… e à fragilidade do tempo.
Um gigante adormecido… que ainda respira nas memórias de muitos.
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