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14 dezembro 2022

A escolinha primária

Era uma vez uma escola - semelhante a tantas outras - onde se aprendia a ler e a escrever, a dar os primeiros passos na vida e a saber que esta tem um princípio e um fim. 
Naqueles dias de inverno acendia-se a lareira existente na sala de aula e todos saíam de lá cheirando a fumo… Não havia descriminação! O recreio era para todos e igual para todos. 
Pelo chão restam alguns vestígios dos últimos alunos que o pisaram e o grande quadro mantêm-se intacto esperando riscos de giz para fazer contas ou soletrar. 
As crianças cresceram, aprenderam o que tinha a aprender e abalaram, dando o lugar a outras que nunca chegaram a aparecer. E quantas escolas existem por esse país fora que envelheceram à espera que novas crianças para elas se dirigissem e delas desfrutassem! 
Estes edifícios tão iguais e tão parecidos vão padecendo de solidão e sucumbindo na decadência feroz que lhes imporá um fim.

  
























26 fevereiro 2022

Chernobyl Exclusion Zone - Mashevo School

A escassos metros da fronteira com a Bielorússia, a aldeia de Mashevo encontra-se a norte da central nuclear de Chernobyl, na outra margem do rio Pripyat e, por estrada, está a uma distância superior a uma hora de percurso entre a central e a aldeia. 
A população desta pequena aldeia foi sobressaltada do seu pacífico sossego quando recebeu ordens de evacuação face aos perigos de radiação emanada pelo reactor Nº 4 da central nuclear que explodiu em 26 de Abril de 1986. 
A sua escola secundária entrou num silêncio profundo que ainda perdura. Alunos e professores mal sabiam da dimensão do desastre e, no momento de abandonar escola e lares, nunca imaginariam que o regresso jamais ocorreria. 
Ficaram os manuais e cadernos, as cadeiras e carteiras, armários, mapas sobre as bancadas e muito outro material didáctico e outros objectos espalhados por todas as salas e corredores. 
Esta escola secundária revela-se com um dos lugares mais bem preservados na zona de exclusão facto que se justifica pela sua localização remota. 
Nunca será demais recordar as desgraças a que o povo ucrâniano tem sido sujeito desde há quase uma centena de anos, as quais lhe retiram a liberdade e o direito de viver como verdadeiro povo que é. Com a força que o caracteriza, o povo da Ucrânia vai resistindo martírio após martírio e, certamente, a paz e a prosperidade terá de chegar um dia...  



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