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21 junho 2022

Chernobyl Exclusion Zone: Village of Zimovizche – The cemetery

Era o trigésimo quinto e último spot na zona de exclusão de Chernobyl... 
Tudo ainda termina no cemitério e, por coincidência, também a nossa visita teve o seu epílogo neste local onde jazem pessoas que descansam em paz. 
Este local de campas e cruzes espalhadas por entre árvores e vegetação ajudou na reflexão final sobre o quão reduzido e limitado é o ser humano que pode ser, em tantos aspectos, tão diferente entre si mas que a morte se encarregará de igualar como um denominador comum sobre o qual todos sucumbem, indiferentemente.
O desastre de Chernobyl deve ser tido como uma lição que comprova a maior resistência dos objectos e das coisas comparativamente aos seres humanos: uns permanecem incólumes e praticamente intactos e outros são obrigados a abandonar lugares e a refazer vidas. Se essas mesmas vidas ainda não tiverem perdido a validade... 
Mas a história das atribulações repete-se por outra vias, por outras circunstâncias e noutros contextos espaço-temporais que não deixam sossegar um pouco gentes e povos sacrificados e martirizados que vão resistindo como podem numa luta desigual e incompreensível. 
Nessa resistência, aqueles que perdem a vida terão a paz eterna e permanecerão num cemitério de memórias que os seus descendentes não deixarão de honrar e prorrogar no tempo. 
Glória à Ucrânia!  


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08 maio 2022

Chernobyl Exclusion Zone: Krasnoe Village - St Michael's Church

Envolta por vastas e grandes árvores, ergue-se a pequena mas bela igreja ortodoxa de São Miguel que é composta por duas cúpulas. 
Parece um segredo bem guardado no meio de toda aquela floresta... Se não forem causas divinas, a sua surpreendente preservação poderá dever-se à sua localização remota, na medida em que fica fora dos roteiros mais vulgares da zona de exclusão de Chernobyl. 
Foi um privilégio poder “mirá-la” por dentro e observá-la em altitude por fora! Segundo se consta esta igreja ainda é utilizada como culto por um pequeno número de idosos que, de forma ilegal, regressaram às suas casas na aldeia de Krasnoe, em zona de exclusão. 
O guia ucrâniano que nos acompanhou a todo o momento – de forma brilhante - contou-nos um significativo episódio relacionado com esta igreja e que não resisto a transcrever: 
Uma vez por ano desloca-se um padre a esta igreja de São Miguel para celebrar uma missa. Ele mesmo foi bombeiro e participou no combate ao incêndio que deflagrou na central nuclear em Abril 1986. A sua exposição aos níveis de radiação foi bastante elevada, afectando-lhe diferentes partes do corpo ao ponto de perder toda a sua dentição. Achou que a sua sobrevivência só poderia ter sido um milagre, pelo que decidiu dedicar-se por inteiro à vida religiosa e tornar-se padre. 
A impressão que ficou sobre esta igreja é que, apesar da sombria floresta que a cobre, o seu interior é preenchido por uma luz invulgar e, como referido, o carácter sagrado do templo parece prolongar no tempo a sua preservação... 


VÍDEO






























 

08 abril 2022

Chernobyl Exclusion Zone - The villages of Mashevo and Krasnoe

Bem perto da fronteira física com a Bielorrússia, as aldeias de Mashevo e de Krasnoe situam-se a norte de Chernobyl e encontram-se dentro do perímetro de 30 km2 definidos como zona de exclusão pela concentração da radiação resultante do acidente da central nuclear. 
Estas aldeias estão rodeadas de uma maravilhosa e diversificada floresta que se expandiu e redimensionou com a ausência dos habitantes que foram forçados a abandonar os seus lares, terrenos e hábitos. Tal como a flora, também a fauna ganhou relevo com o povoamento de aves e animais que conseguiram adaptar-se a um meio natural onde os níveis de radiação são consideráveis. No percurso para estas vilas foi possível constatar isso com a observação de várias espécies de aves e outros animais, principalmente veados. 
Por entre as árvores lá vão surgindo as húmildes casas rurais dispostas sobranceiramente nos dois lados da estrada que percorremos. Entrei numa ou outra das muitas que vi e pelas quais passei e cada uma terá a sua história que jamais será revelada. Podem os objectos, mobílias e outras coisas existentes deixar pistas sobre quem as habitou e nelas partilhou felicidades e amarguras. Mas serão sempre histórias incompletas porque a presença e os movimentos desse alguém deixaram de existir há cerca de 36 anos. 
Presença e movimentos! Só os do vento quando corre e os das aves quando passam...  


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