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28 julho 2021

Perdidos no Tempo - Exposição de fotografia

De máquina fotográfica em punho entro em lugares que pertencem ao passado... 
Vou registando no cartão de memória enquanto observo, em redor, espaços ou divisões que outrora tiveram a sua funcionalidade. E também me interrogo sobre as vivências e rotinas da gente que ali habitou, trabalhou ou apenas passou. Tenho como resposta uma barreira de silêncio por parte de utensílios, máquinas, móveis, artefactos e outros objectos, numa espécie de pacto concertado de recusa na revelação das histórias de vida que esta legião de inanimados testemunhou. 
O desafio que lugares e coisas nos lançam é o de reconstituir histórias com base naquilo que é observado, encontre-se ele no seu maior ou menor estado de decadência ou de esquecimento. Mas todos eles guardam memórias e histórias perdidas na distância do tempo, as quais sucumbirão no momento do desaparecimento definitivo dos sinais materiais da sua existência. Por muitas e diferentes razões tratam-se de lugares que ficaram adiados e suspensos na sua evolução, acabando muitas vezes por ser considerados inúteis. Até se saber o que fazer com eles é tempo mais que suficiente para se desencadear o processo de decadência. O colapso estará eminente e será acelerado. 
Na angústia da sucessiva degradação e enquanto aguardam pelo seu fim ou pelo recomeço eles encontram-se PERDIDOS NO TEMPO. 


 

14 maio 2021

O casarão do Comendador

Levaram-me de olhos vendados até ao casarão do Comendador e de lá me trouxeram da mesma forma... Explicando! Alguns dias antes, um grande amigo - conhecedor dos meus passatempos de fotografia e vídeo na temática da exploração urbana, lançou-me um desafio: ele tinha informação de um local que certamente eu iria querer visitar e incluir na minha “colecção” de lugares urbex mas, visando a preservação do imóvel e do seu conteúdo, eu teria de aceitar ir até lá com ele na condição de não reconhecer a zona da sua localização; ou seja, ele acompanhar-me-ia até ao interior desde que eu mantivesse os olhos vendados e assim também fosse no regresso. Imediatamente achei que era brincadeira ao que ele insistiu ser verdade e jurou que o local existia tal e qual como ele o tinha descrito. Aliás, repetiu a descrição pormenorizada do casarão quanto à sua composição e dimensão. Entre curiosidade e hesitação acabei por aceitar o desafio com dia marcado para esta visita completamente atípica. 
Quanto ao casarão do Comendador, o meu amigo não se enganou: trata-se de um espaço de considerável dimensão que é constituído por um único piso de habitação e composto por grandes divisões, sejam elas quartos, salas ou outras. Nos seus tectos altos, trabalhados em madeira, sobressaem pinturas com diferentes motivos. 
No que diz respeito ao Comendador: talvez escreva sobre ele numa próxima vez... 
Porque as palavras podem ser redutoras, o melhor mesmo é dar espaço às imagens!  


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