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19 fevereiro 2025

O cemitério metálico

Num terreno esconde-se uma sucata de automóveis, um cemitério metálico onde o passado repousa sob o peso da ferrugem e do abandono. Ali, naquela sucata esquecida pelo tempo, repousam os restos de inúmeras histórias. Cada carro, agora coberto de ferrugem e poeira, terá sido um dia testemunha de jornadas longas, amores passageiros e despedidas silenciosas. 
Existem carros de várias épocas: uns mais antigos, com carroçarias arredondadas e cromados apagados pelo tempo, e outros mais recentes, mas igualmente castigados pelo sol e pela chuva. O vento sussurra entre as suas estruturas vazias, e os vidros partidos refletem os últimos raios de sol como se ainda quisessem brilhar uma última vez. Algumas portas mantêm-se entreabertas, como se os veículos aguardem passageiros que jamais chegarão. 
O velho carro azul, com os bancos rasgados e o volante gasto, talvez tenha pertencido a uma família que fez longas viagens de verão. A carrinha branca, enferrujada e sem motor, pode ter transportado sonhos e mercadorias de um trabalhador dedicado. 
Naquele lugar de esquecimento, a natureza começa a reclamar o que é seu. Arbustos crescem por entre as rodas, as raízes enroscam-se nas carroçarias e pequenos pássaros faziam ninhos onde antes rugiam motores. Cada veículo, imóvel e silencioso, guarda os segredos de quem um dia os dirigiu, memórias de uma era que se esvai lentamente, como um eco distante no tempo. 
E assim, sob o sol poente, a sucata permanece, um museu a céu aberto onde a ferrugem conta histórias que ninguém mais ouviu…  
























14 junho 2023

Os carros da colina

Como foram lá parar? Ou melhor: o que estão ali a fazer? Até parece que caíram ali… vindos do espaço! 
Estes carros encontram-se numa colina arborizada e bem afastada da povoação mais próxima! 
Não há sinais que por lá tivesse existido uma oficina de mecânica e bate-chapa ou alguma instalação de desmantelamento de viaturas. Trata-se de sucata sem sucateira! Significa que estamos perante um cemitério de automóveis. 
Não sei se pinheiros, eucaliptos, sobreiros e outros tipos de vegetação se importam com a presença destes carros e carrinhas e não imagino qual seja o ambiente de coexistência entre eles. 
A verdade é que, perante este cenário que encontrei, fazia lembrar um rebanho de animais de grande porte pastando ervas e matos por entre as árvores. 
Depois de vitimados por acidentes e avarias, os carros por lá permanecem moribundos fazendo paridade com as árvores, como se estas lhes prestassem algum tipo de homenagem após vida útil. 
É certo que muitas árvores morrem em pé mas também é certo que os seus troncos hão de sucumbir e cair sobre os carros, gerando uma simbiose invulgar….  


VÍDEO