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08 outubro 2024

Despojos duma fábrica de cerveja

Longe vai o tempo em que fotografei estes tetos e paredes pertencentes a um espaço onde laborou uma fábrica de cerveja mas não encontrei sinais que indicassem ser essa a atividade ali desenvolvida. Não são as casas de banho, os elementos mais reconhecíveis no meio daquilo tudo, que comprovam o tipo de fábrica porque é algo que coexiste em todas elas. 
Havia muitos objetos espalhados por aqueles espaços que em nada estavam relacionados com a produção da cerveja. Presenciei a entrada de uma carrinha cujos ocupantes para ali foram selecionar a mercadoria obtida em furtos levados a cabo na noite anterior. Aquilo que não interessava era por lá despejado. 
Existem e continuarão a existir muitos locais utilizados para tais fins por tempo mais ou menos indefinidos. Como se não bastasse serem completamente vandalizados, são usados para atividades suspeitas que fazem aumentar o risco a quem se aproxima desses lugares nos momentos de “plena laboração” ilícita. 
Longe vai o tempo em que percorri o seu interior… Mas um dia, ao transitar pela proximidade, reparei que o amontoado de cimento deixou de existir, tendo o local sido reconvertido. 





























  

03 setembro 2024

O casarão da Caparrota

Excetuando algumas das loiças das casas de banho e dos restos de azulejos cravados nas paredes, este casarão encontrava-se desprovido de recheio ou objetos. Por curiosidade, enveredei pela pesquisa na web com o objetivo de perceber quem eram os proprietários e habitantes deste casarão desabitado e inserido numa quinta que outrora já teve mais de 300 hectares. Não chegando a muitas conclusões nem conseguindo chegar ao real proprietário foi, com toda a certeza, identificado o nome da família que detinha a sua titularidade. 
Ligada á nobreza e ás elites políticas defensoras da causa monárquica esta família, de origem espanhola, criou fortes laços - através de casamentos - com outras famílias ricas da zona, gerando fortes ramificações em Portugal. 
Como a pesquisa não foi eficaz e o prepósito não é expor em detalhe a história deste casarão e respetiva quinta, retoma-se a frase inicial para refletir sobre os vazios que se encontram em muitos lugares de incursões de urbex. Este casarão, com as suas grandes e pequenas divisões esvaziadas de conteúdos, é um dos locais ideais para uma pequena abordagem sobre a substância do vazio. 
Por vezes são estes lugares vazios, desprovidos de gente e de coisas, que enriquecem a essência da exploração urbana: espaços inóspitos cujos ares povoam de tristeza e silêncio todas as divisões e qualquer canto ou esquina. 
Mas também existe alegria nos vazios quando os coloridos pintam as paredes de algumas divisões e os tetos sobressaem com finos pormenores trabalhados. 
Entre entrâncias de luz, claridade ou forte obscuridade o ambiente dos vazios reconverte-se ou transforma-se. Mas a sua riqueza mantém-se! Além disso, é bem audível o som destes ambientes vazios e silenciosos… No momento em que se visionam os filmes com áudio, ficamos perplexos com o som registado em espaços com estas características. 
E como espaços e áreas se tornam muito maiores onde existem puros vazios! A presença de mobiliário ou de outros objetos atrapalham o vazio, limitam a sua abrangência e comprometem o seu nativo ambiente. 


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