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18 maio 2024

Restos de um solar

Visitei os restos deste solar nos primórdios das minha incursões de exploração urbana, já lá vão uns anos. A expectativa era elevada tendo em conta a robustez e grandeza do edifício… 
Não tardou muito para concluir que tal expectativa saísse gorada quando verifiquei que era grande o estado de decadência, não obstante ter verificado que houvera aqui e ali tentativas de recuperação mal sucedidas, as quais acabaram por descaracterizar fortemente a beleza do solar. 
Também é verdade que, comparados aos atuais, os níveis de ansiedade eram mais elevados e a predisposição para explorar minuciosamente era bem menor. Nestas andanças a experiência e rotina são importantes! 
Acabei por fazer alguns registos dispersos que foram complementados com fotografias de uns campos floridos que se encontravam próximos do lugar, pois a visita ocorreu em plena primavera. 
Tendo passado mais de uma década, o dito solar continua a ser alvo de recuperação que, apesar de aparentando ser mais incisiva, parece nunca mais terminar! Tal como as obras de Santa Engrácia! 




  














19 março 2024

O presídio militar

Até ao dia em que visitei este presídio militar, só conhecia o interior duma prisão em filmes que visionei como por exemplo “Os condenados de Shawshank”. Daí alguma curiosidade e expectativa no momento da entrada naquele lugar. 
Poderia dirigir a escrita deste texto para transcrever a história deste presídio militar que nem sempre tal foi desde que, em 1565, o Cardeal D. Henrique ordenou a sua construção. Prefiro abordar a ideia utópica dum mundo cheio de prisões vazias, ideia essa enquadrada no princípio similar de que “os médicos passariam mal se todas as pessoas passassem bem”… 
O mote acercou-se de mim quando, já no interior do presídio, percorria a longa ala dos prisioneiros constituída por pequenas celas que ocupavam os dois pisos do edifício. A estrutura imponente que outrora abrigava prisioneiros erguia-se naquele momento silenciosa e vazia diante de mim, sendo difícil perceber que um lugar assim, onde antes ecoavam sons da disciplina militar e da reclusão, se encontrasse agora desocupado. Onde antes existiam celas, quiçá sobrelotadas, e guardas vigilantes, agora reinava o silêncio e a solidão. 
Contemplei as grades enferrujadas das celas e os vestígios das vidas que um dia por ali passaram. Mas agora, aqueles espaços estavam livres da sua função original. Deixaram de ser necessários para punir ou reabilitar. Era como se a própria noção de crime se tivesse desvanecido, deixando para trás apenas um vestígio daquilo que um dia foi. 
Neste presídio desocupado, pude vislumbrar a utopia de um mundo onde os crimes eram coisa do passado. Onde as diferenças eram resolvidas com diálogo e compreensão, em vez de violência e retribuição. Onde a justiça era mais do que uma questão de aplicar punições, mas sim de criar condições para que todos pudessem viver em harmonia. 
Caminhando pelos corredores e observando as celas vazias, imaginei um futuro onde todas as prisões estariam desocupadas, como consequência duma transformação fundamental na sociedade. Um futuro onde a empatia e o respeito mútuo substituiriam a necessidade de leis punitivas. Um futuro onde a liberdade não seria apenas um privilégio, mas sim um direito inalienável de todos os seres humanos. 
Ali, entre as paredes despidas e os portões enferrujados do presídio militar, vislumbrei um mundo melhor, onde a utopia da ausência de crimes não era apenas uma fantasia, mas sim uma possibilidade real e tangível. Se o sonho comandasse a vida…  



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