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14 novembro 2023

Sobressalto no sanatório

Era dia de exploração urbana em sanatórios e para isso rumei de madrugada para os locais que ficavam a umas boas dezenas de quilómetros. 
Iniciei a incursão solitária com o primeiro da lista e agora, depois de tudo ter acontecido, está concluído que foi uma primeira má escolha por causa do sobressalto que enfrentei e que mais adiante, no cenário do acontecimento, explicarei. 
Este edifício tinha vários pisos mas não vi forma de passar do rés-do-chão e subir aos pisos superiores porque a escadaria de acesso estava completamente destruída. Fiquei limitado a fazer registos fotográficos no próprio rés-do-chão e na cave… 
Como se poderá observar, trata-se de um sanatório bastante degradado onde apenas restam paredes, portadas, janelas sem vidros e pouco mais… É daqueles lugares que muitos exploradores urbanos desprezariam por falta de recheios ou outros conteúdos. Para mim, que não rejeito qualquer tipo de degradação, é este tipo de lugares que contém a essência da decadência! 
Foi na divisão mais ampla do rés-do-chão, com seus pilares redondos, que aconteceu o imprevisto: Estava fotografando! Recuei um pouco para fazer melhor enquadramento quando numa fração de segundos senti o chão a desaparecer. Uma das pernas enterrou-se sobre o buraco que se abriu repentinamente. Sorte a minha ter sido apenas uma perna, pois caso contrário teria ido parar á cave que eu ainda nem sequer sabia que existia. 
Sobressaltado, libertei a perna toda ensanguentada e ao elevá-la veio com ela o esqueleto de um animal. Talvez fosse de um gato. Olhei o chão em redor para deduzir que ali estava uma verdadeira armadilha… bem perigosa! 
Para aqueles que se aventuram de forma solitária nestas atividades deixo o conselho: todo o cuidado é pouco!  


VÍDEO





































17 outubro 2023

O jardim do Marquês

Era um amplo jardim que o Marquês tinha junto á sua casa de campo. Para além das árvores e plantas variadas, o jardim estava repleto de fontanários, bancos em pedra e escadarias. Era designada como a “casa de pesca” do Marquês por lá existir um grande lago artificial bem povoado de peixes e de patos. Em frente ao lago, o portão principal que dá acesso à sua casa encontra-se ladeado de grandes painéis de azulejos azuis com motivos que incluem figuras humanas nuas que se movimentam sobre as água de um qualquer paraíso. 
Muito do seu tempo era passado no jardim, sobretudo para pescar no lago, pois gostava de lançar o isco sobre a água e dava-lhe gozo algum peixe ser atraído para o anzol. 
Num certo dia, estava o Marquês na sua preferida atividade de lazer, passando-lhe pelos olhos uma ligeira sonolência provocada pela calmaria causada pelos peixes que teimavam em não morder o isco. 
Repentinamente o sossego acabou e o Marquês sentiu uma forte pressão sobre a cana que o obrigou a suster-se e a fazer força. Enquanto tenta puxar a cana de pesca olha na direção da água do lago e vê alguma turbulência sobre ela mas não vê fio, nem anzol, nem peixe. Ficou estupefacto ao ver um pato a voar pelo ar agarrado ao isco, fazendo círculos em volta do lago e dos painéis de azulejo, tentando libertar-se do anzol preso no bico. 
Os painéis pareciam ganhar vida, com as figuras humanas a apontar e a rir-se da situação. Os peixes, sobressaltados, pulavam para fora de água tentando perceber o que se passava. O Marquês, sem conseguir conter o riso, correu atrás do pato voador, que continuava a grasnar indignado. 
Finalmente, após algumas voltas pelo jardim, o pato conseguiu libertar-se do isco e aterrou na água do lago, fazendo um grande splash. 
E assim, no tranquilo paraíso do jardim do Marquês, uma tarde comum transformou-se numa comédia inesquecível, com um pato, azulejos animados, peixes saltitões e risos que ecoaram por todo o jardim.