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30 agosto 2023

O lagar da Barroca Escura


Nas profundezas de uma remota povoação beirã, escondido numa barroca arborizada de pinheiros e ao lado de um ribeiro que outrora veria correr mais água, encontra-se este antigo lagar de azeite. 
Durante décadas, ele terá testemunhado a transformação das azeitonas recolhidas de olivais circundantes em líquido dourado e precioso - o azeite que nutria e satisfazia as gentes da região. Era uma época em que as estações ditavam o ritmo do trabalho, e a chegada do outono trazia consigo a expectativa das colheitas. 
O velho lagar era um edifício rústico de pedra e madeira, com mecanismos de ferro e uma roda que rangia ao ritmo do trabalho árduo. As azeitonas eram colocadas na prensa, e com o movimento constante e calculado, o líquido dourado fluía. 
O tempo, implacável como é, começou a deixar suas marcas. As vigas de madeira cederam sob o peso dos anos, e as pedras gastas pelo uso incessante perderam parte de sua força. 
No lugar onde uma vez se ouvira o som da prensa, da água a correr e das vozes de quem lá trabalhava, agora existem praticamente paredes e silêncio. 
No entanto, as evidências do passado permanecem por lá, como atestam as imagens. 


















  

25 julho 2023

A capela azul

Uma capela de um azul celestial que outrora terá sido deslumbrante, encontra-se praticamente em ruína. 
A luz do sol penetra agora timidamente pelas frestas, criando feixes de poeira que flutuam no ar silencioso. O piso de madeira está repleto de lascas e marcas do tempo implacável. 
O altar, muitas vezes decorado com requinte, ergue-se agora como um símbolo solitário de devoção esquecida. 
Em certa medida, parece guardar ainda uma aura mística e misteriosa, como se guardasse segredos do passado e sonhos de um futuro que nunca chegou.
Apesar de devoluta, mantém uma beleza triste, esquecida, mas ainda envolta em mistério e encanto.











14 junho 2023

Os carros da colina

Como foram lá parar? Ou melhor: o que estão ali a fazer? Até parece que caíram ali… vindos do espaço! 
Estes carros encontram-se numa colina arborizada e bem afastada da povoação mais próxima! 
Não há sinais que por lá tivesse existido uma oficina de mecânica e bate-chapa ou alguma instalação de desmantelamento de viaturas. Trata-se de sucata sem sucateira! Significa que estamos perante um cemitério de automóveis. 
Não sei se pinheiros, eucaliptos, sobreiros e outros tipos de vegetação se importam com a presença destes carros e carrinhas e não imagino qual seja o ambiente de coexistência entre eles. 
A verdade é que, perante este cenário que encontrei, fazia lembrar um rebanho de animais de grande porte pastando ervas e matos por entre as árvores. 
Depois de vitimados por acidentes e avarias, os carros por lá permanecem moribundos fazendo paridade com as árvores, como se estas lhes prestassem algum tipo de homenagem após vida útil. 
É certo que muitas árvores morrem em pé mas também é certo que os seus troncos hão de sucumbir e cair sobre os carros, gerando uma simbiose invulgar….  


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