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06 fevereiro 2026

Entre paredes nuas e silêncio

A quinta erguia-se isolada, longe de tudo, como se tivesse sido apagada do mapa por vontade própria. Não havia sinais de vida, nem marcas recentes de passagem. Apenas silêncio e vento. 
A casa estava vazia. Não destruída, não saqueada — simplesmente abandonada. Paredes nuas, portas entreabertas, janelas escancaradas por onde a luz entrava sem obstáculos, desenhando sombras imóveis no chão coberto de pó. Cada divisão parecia ter sido deixada à espera de alguém que nunca voltou. 
Não havia móveis, nem objetos pessoais. Nada que contasse quem ali viveu, quantos eram, ou porque partiram. A ausência era tão completa que se tornava suspeita. Que urgência foi essa que levou tudo, menos o próprio lugar? 
Só um espaço contrariava o vazio absoluto: uma pequena arrumação onde se acumulavam garrafas vazias, alinhadas, esquecidas... Eram o único rasto de repetição, de hábito, de alguém que ali permaneceu tempo suficiente para deixar marcas — ainda que sem nome. 
Quem de lá saiu por último? 
Foi uma fuga, uma perda, uma decisão inevitável? 
Ou ninguém teve coragem de ficar? 
A quinta permanece assim, suspensa entre o que foi e o que nunca saberemos. Um lugar onde o silêncio pesa mais do que qualquer resposta. 





























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