A porta encontra-se entreaberta e, logo na entrada, lá está o manequim de alfaiate para dar as boas vindas…
Não obstante, nem os clientes habituais nem novos clientes se atreverão a entrar porque o som das tesouras de corte há muito se calou.
Tal como um tecido gasto se vai rompendo, o teto de madeira vai-se desprendendo e os pedaços apodrecidos vão caindo no chão.
Estantes e expositores encontram-se quase vazios, apenas por lá restando revistas e documentos que terão sido úteis no passado.
O manequim, imóvel, parece aguardar pacientemente por um último ajuste; as revistas de moda, amareladas, mostram tendências que já passaram de moda há décadas; e nos posters, modelos sorridentes mantêm um brilho que contrasta com o pó acumulado.
Atrás da cortina, esconde-se o espaço privado onde talvez se guardassem tecidos raros ou segredos de costura que apenas o alfaiate conhecia.
Hoje, a loja é apenas um cenário silencioso, mas cada detalhe ainda conta a história de mãos habilidosas que transformavam pano em elegância.
















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