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26 junho 2025

A quintinha dos sofás encarnados

                Entre árvores, uma quinta esquecida, 

                Longe vai o instante em que foi erguida… 

                Nas paredes grafitadas descasca-se a pele da história, 

                E o tempo, cruel, vai lambendo a memória. 

 

                Sofás encarnados, outrora vaidade,

                Agora são tronos da podridão e saudade. 

                Ao lado, um acastanhado quebrado, sem dono

                Esconde na espuma um silêncio sem sono. 

 

                Restos de móveis, escangalhados, cansados, 

                Parecem fantasmas de corpos sentados. 

                Um par de sapatos sem passos futuros 

                Espera por pés que já foram seguros. 

 

                Pendurado, um barrete que o Natal esqueceu,

                Motivo da alegria que há muito morreu. 

                E um garrafão, seco, sem uma razão, 

                Testemunha a sede de outra estação. 

 

                A roupa espalhada, num caos indecente,

                Conta os segredos de gente ausente. 

                A cama, desfeita e deformada 

                Já esqueceu quem ali fez bela noitada. 

 

                O papel acabou, como tudo no fim. 

                Nem um rolo, nem um gesto, nem um toque assim. 

                Só o ar, saturado de mofo e desgosto, 

                E o cheiro de um tempo que morreu no rosto...

 
































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