Entre árvores,
uma quinta esquecida,
Longe vai o
instante em que foi erguida…
Nas paredes
grafitadas descasca-se a pele da história,
E o tempo,
cruel, vai lambendo a memória.
Sofás
encarnados, outrora vaidade,
Agora são
tronos da podridão e saudade.
Ao lado, um
acastanhado quebrado, sem dono
Esconde na
espuma um silêncio sem sono.
Restos de
móveis, escangalhados, cansados,
Parecem
fantasmas de corpos sentados.
Um par de
sapatos sem passos futuros
Espera por pés
que já foram seguros.
Pendurado, um
barrete que o Natal esqueceu,
Motivo da
alegria que há muito morreu.
E um garrafão,
seco, sem uma razão,
Testemunha a
sede de outra estação.
A roupa
espalhada, num caos indecente,
Conta os
segredos de gente ausente.
A cama,
desfeita e deformada
Já esqueceu
quem ali fez bela noitada.
O papel
acabou, como tudo no fim.
Nem um rolo,
nem um gesto, nem um toque assim.
Só o ar,
saturado de mofo e desgosto,
E o cheiro de
um tempo que morreu no rosto...






























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