Em época de pandemia os lugares isolados e recônditos são uma boa alternativa para passar alguns momentos menos rotineiros do prolongado confinamento. Por isso desloquei-me para os meios dos quintos e não vi viva alma enquanto por lá andei. Isto claro se os pássaros, coelhos, perdizes e outros bichos que observei não tiverem alma... Num desses passeios encontrei uma caravana que se encontra também ela confinada há muito tempo. Tanto tempo que o caminho até chegar a ela está descomposto com mato e ervas. Sabe-se lá há quanto tempo para lá foi... levada.
De acordo com a Wikipédia, "A ardósia é uma rocha metamórfica sílico-argilosa formada pela transformação da argila sob pressão e temperatura, endurecida em finas lamelas. De baixo grau metamórfico, a ardósia é formada sob as menores pressões e temperaturas dentre as rochas metamórficas.
A ardósia pode ser transformada em soletos, porque tem duas linhas de folhabilidade: clivagem e grão. Isto torna possível que se divida em finas folhas. Coberturas sintéticas e manufaturadas podem, inicialmente, ser mais baratas no acto da colocação, mas os soletos de ardósia durarão muitos e muitos anos, fazendo deste material uma escolha de futuro mais econômica. A ardósia é uma rocha metamórfica. Outras aplicações da ardósia: pavimentos, fachadas, tampos de laboratórios, e em decorações interiores e exteriores. Folhas finas de ardósia preta ou cinza escuro eram o material mais usado na produção de quadros negros, ou lousa." Em países como a Bélgica, Luxemburgo, França e Alemanha existem muitas moradias e outras construções nas quais a utilização desta rocha era bem intensa e abrangente a toda a estrutura das instalações: pavimentação, paredes e telhado. As imagens do local que apresento nesta publicação referem-se às instalações de uma empresa de manufactura de ardósia situada na Bélgica. A sua actividade já cessou há uns largos anos mas por lá restou a ardósia trabalhada que se mantém no chão, nas paredes e telhados dos edifícios da própria empresa. O local não deixa margem para dúvidas sobre a actividade ali desenvolvida. Os tons cinzentos e negros da ardósia invadem toda a área da antiga fábrica, reproduzindo uma dimensão sombria, fortalecida ainda pela castanha ferrugem que cobre a maquinaria. Completando o cenário, a humidade marca a sua presença com verdes amarelados trazidos por fungos e bolores colados às rochas e às máquinas.
Em tempo de Páscoa e de "recolhimento" entendi publicar algo associado à época: os crucifixos. Encontrados em diferentes momentos de exploração urbana, estes símbolos religiosos são vulgarmente observados em casas outrora habitadas. No que respeita à devoção religiosa, é certo que também os quadros que representam a última ceia são outros objectos muito comuns entre os recheios dessas ex-habitações. Os motivos religiosos são uma presença assídua em todas as casas mas a sua intensidade é mais notada no norte e centro de Portugal, relacionando-se assim com a tradicional religiosidade das gentes dessas áreas. Além disso, a presença destes símbolos é maior e mais frequente em casas que, pela sua sua simplicidade e reduzida dimensão, terão tido como residentes gente humilde e de baixas posses. Entre os muitos registos fotográficos que incluem esta temática e se encontram adormecidos em arquivo, aqui partilho dez imagens com crucifixos.
Lugares e coisas expostas ao declínio e à ruína...
Ao longo de mais de 10 anos, algumas centenas de explorações urbanas e rurais permitiram reunir um vasto conjunto de registos de fotografia e vídeo.
Chegou o momento de partilhar momentos...