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21 setembro 2021

Chernobyl Exclusion Zone - Kopachi Kindergarten

A aldeia de Kopachi (Копачі em ucraniano) encontra-se localizada a cerca de 4 quilómetros a sul da central nuclear de Chernobyl e, em 1986, contava com mais de mil habitantes, na sua maioria jovens. 
Face à sua proximidade com a central nuclear, a aldeia sofreu fortemente a contaminação resultante do desastre nuclear, pelo que a larga maioria dos edifícios foi demolida e imediatamente enterrada em valas cavadas para o efeito. O solo e a água em redor da aldeia ainda registam altos níveis de radiação e a evidência da existência anterior de mais edifícios pode ser constatada pela presença de pequenos montes que se geraram com os destroços soterrados e que se encontram sinalizados com placas de sinalização de presença de radiação. 
Do pouco que resta, é simbólico o edifício do jardim de infância, não só pela sua arquitectura mas principalmente pelo seu conteúdo interior que sugere um sentimento profundamente melancólico. 
O jardim de infância encontra-se bem próximo da estrada que liga Chernobyl a Pripyat e o acesso a este é antecedido do memorial à Segunda Guerra Mundial. 
Nos dormitórios, as camas onde as crianças dormiam a sesta vão ficando cada vez mais enferrujadas e os variados brinquedos encontram-se espalhados pelo chão, em cima das estruturas das camas ou nos parapeitos das janelas. Sobresssaiem as bonecas e bonecos, alguns já sem olhos ou sem outros membros, os quais vão sofrendo o desgaste e descoloração que os torna esbranquiçados deixando transparecer “a sensação desolada e fria que os brinquedos revestidos de poeira exalam”. Também em todas as divisões e espalhados pelo chão ou em cima de móveis ainda se encontram livros, cadernos, material didáctico e peças de roupa e de calçado... 
Percorrer todas as divisões do edifício envolto por árvores que escurecem o seu interior e observar todos os elementos que constituiam a componente do jardim de infância é um dos momentos mais tristes e assustadores durante a visita à zona de exclusão de Chernobyl. 
O jardim de infância permanece em silêncio desde o fatídico dia 26 de Abril de 1986...  

Fontes:


VÍDEO



































11 setembro 2021

Moinhos d'água

Regressado do interior trouxe comigo uma exploração rural de velhos moinhos de água acompanhados de vegetação verde e fresca que ladeia as margens da ribeira, a qual parece anestesiar o doloroso processo de degradação e devolutez que os ataca sem dó nem piedade. 
A exploração rural tem de bom esta conjugação de decadência com paisagem natural, permitindo enquadramentos e perspectivas que não serão fáceis de encontrar noutro tipo de exploração. 
Certamente que, tal como outros, a beleza dos moinhos de água não será questionável e a nostalgia de os ver a funcionar é um sentimento vasto de muita gente. 
Não tardará muito que a pitoresca e deslumbrante paisagem que integra estes moinhos se aperceba da sua falta mas a natureza não clamará pelo seu retorno porque o espaço desocupado rapidamente será preenchido. 
 Antes, os moinhos fregmentavam os cereais! Agora, é a degradação que fragmenta os moinhos...  













07 setembro 2021

Exposição "Perdidos no Tempo" - As fotografias

AGRADECIMENTOS

Entre 31 de Julho e 29 de Agosto do corrente ano esteve patente em Loriga, na Sede da Fundação Cardoso de Moura, a exposição de fotografia “Perdidos no Tempo”, com trabalhos da minha autoria. Agradeço a todas as pessoas que a visitaram e àquelas que deixaram palavras de incentivo e de congratulação no livro de honra. 
A concretização desta minha primeira exposição individual foi possível graças à Fundação Cardoso de Moura, pela imediata adesão e disponibilidade face à proposta que sugeri assim como por todo o apoio despendido durante a preparação e o período em que o evento decorreu. Por tais factos, dirigo o meu agradecimento aos membros dos orgãos sociais da Fundação, em especial ao José Romano e Rodrigo Amaro. Também o meu obrigado para outras pessoas que, de alguma forma, colaboraram antes, durante e depois da realização do evento. 
Cabe-me ainda salientar a minha gratidão às entidades presentes na inauguração da exposição: Presidente e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Seia, Presidente do Conselho de Administração e demais membros dos orgãos sociais da Fundação Cardoso de Moura, Pároco de Loriga, Juiz da Irmandade das Almas e do Santissímo Sacramento, Presidente da Direcção da Sociedade Recreativa e Musical Loriguense e Presidente da Direcção da Confraria da Broa e Bolo Negro de Loriga. 
Para aqueles que não tiveram oportunidade de visitar a exposição apresento aqui os trabalhos fotográficos que fizeram parte do evento. 


"PERDIDOS NO TEMPO”

De máquina fotográfica em punho entro em lugares de Loriga que pertencem ao passado...

Vou registando no cartão de memória enquanto observo, em redor, espaços ou divisões que outrora tiveram a sua funcionalidade. E também me interrogo sobre as vivências e rotinas da gente que ali habitou, trabalhou ou apenas passou. Tenho como resposta uma barreira de silêncio por parte de utensílios, máquinas, móveis, artefactos e outros objectos, numa espécie de pacto concertado de recusa na revelação das histórias de vida que esta legião de inanimados testemunhou. 

O desafio que lugares e coisas nos lançam é o de reconstituir histórias com base naquilo que é observado, encontre-se ele no seu maior ou menor estado de decadência ou de esquecimento. Mas todos eles guardam memórias e histórias perdidas na distância do tempo, as quais sucumbirão no momento do desaparecimento definitivo dos sinais materiais da sua existência. 

Por muitas e diferentes razões tratam-se de lugares que ficaram adiados e suspensos na sua evolução, acabando muitas vezes por ser considerados inúteis. Até se saber o que fazer com eles é tempo mais que suficiente para se desencadear o processo de decadência. O colapso estará eminente e será acelerado.

Na angústia da sucessiva degradação e enquanto aguardam pelo seu fim ou pelo recomeço eles encontram-se  PERDIDOS NO TEMPO.


"Horas incógnitas"


"Fé inabalável"



"Abrigo arejado"



"Memórias do ofício da lã"



"Ecos do silêncio"



"De costas voltadas"



"Emissão televisiva"



"O aposento da religiosa"



"Reocupação"



"Chamada em espera!..."



"Linhas suspensas"



"Registos manuscritos"



"O peso da corrosão"



"Há óleo no túnel"



"Todos os tamanhos"



"Usar quando o frio apertar" 



"Inevitável inabitabilidade" 



"Sintonização radiofónica"



"Mutações"