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21 setembro 2023

Era uma vez uma colónia de férias

Como se agora já não houvessem férias! Observo estas instalações que já foram uma colónia de férias desprovidas de vida e movimento, bem diferente daquelas que frequentei na minha infância e que recupero da memória para comparar com este cenário algo desolador. 
As camaratas eram como pequenos lares temporários, onde se criavam amizades traduzidas em brincadeiras e atividades partilhadas. Mas o ar livre era o espaço natural para que essas brincadeiras e jogos tivessem maior expressão para nos manterem ativos e felizes. 
Além disso, as atividades programadas eram sempre aglutinadoras e emocionantes: idas à praia para fazermos tomarmos banho e passear á beira do mar, competições desportivas, teatro, cinema e dança. O refeitório era o lugar onde compartilhávamos refeições, umas melhores que outras, e conversas animadas próprias da idade. A estadia na colónia de férias dava-nos a oportunidade de aprender algo de novo e desfrutar da natureza em redor. 
Agora restam as camaratas com camas bem alinhadas mas com lençóis e cobertores desarromados e enrodilhados, os espaços exteriores vazios e mal tratados e não resta nada de comida na cozinha do refeitório… 
As zonas de lazer espelham esta desertificação e só lá sobrevivem, na parede, as pinturas de cactos e duma figura mexicana com o seu típico sombrero.  


VÍDEO

















































30 agosto 2023

O lagar da Barroca Escura


Nas profundezas de uma remota povoação beirã, escondido numa barroca arborizada de pinheiros e ao lado de um ribeiro que outrora veria correr mais água, encontra-se este antigo lagar de azeite. 
Durante décadas, ele terá testemunhado a transformação das azeitonas recolhidas de olivais circundantes em líquido dourado e precioso - o azeite que nutria e satisfazia as gentes da região. Era uma época em que as estações ditavam o ritmo do trabalho, e a chegada do outono trazia consigo a expectativa das colheitas. 
O velho lagar era um edifício rústico de pedra e madeira, com mecanismos de ferro e uma roda que rangia ao ritmo do trabalho árduo. As azeitonas eram colocadas na prensa, e com o movimento constante e calculado, o líquido dourado fluía. 
O tempo, implacável como é, começou a deixar suas marcas. As vigas de madeira cederam sob o peso dos anos, e as pedras gastas pelo uso incessante perderam parte de sua força. 
No lugar onde uma vez se ouvira o som da prensa, da água a correr e das vozes de quem lá trabalhava, agora existem praticamente paredes e silêncio. 
No entanto, as evidências do passado permanecem por lá, como atestam as imagens.